Cordel 2.0 · registro coletivo do território
Caleidoscópio do Território
Protótipo aberto, em construção — versão de amostra · lâminas da malha municipal do IBGE · norte para cima, direções aproximadas · silhueta de leitura, não limite cartorial
Cordel 2.0 · eixo coletivo · protótipo aberto
O que é este caleidoscópio
Um caleidoscópio da Bahia: cada lâmina é um Território de Identidade, e dentro de cada território, cada mapa 3D corresponde a um módulo de letramento digital — a comunidade aprende a linguagem digital construindo o registro do próprio chão: escrita popular e xilogravura ancoradas na rua, na praça, na beira da maré.
Não é rede social nem acervo trancado. É um registro que a própria comunidade levanta, em oficina, sobre o mapa do seu bairro: as obras entram com autoria declarada, os lugares citados são construídos em 3D e ficam públicos para qualquer pessoa visitar, sem conta e sem senha.
Estado de hoje, dito sem rodeio: o chão do primeiro território já está levantado a partir de dados abertos, e é o chão real de um bairro de Salvador; há uma obra ancorada nele — um cordel de Dilma Santana, publicado em antologia com ISBN — e a construção coletiva do território, que é o que esta plataforma faz, ainda não começou. Veja onde o trabalho está.
A prancha, em palavras
Os Territórios de Identidade da Bahia — e onde este registro já está
O estado se lê em 27 Territórios de Identidade — a divisão que a própria Bahia usa para se reconhecer, demarcada por critério cultural e não só administrativo. Cada território é uma lâmina deste caleidoscópio. Três estão em detalhe no plano, e é honesto dizer, antes de qualquer outra coisa, que um só ponto de um só deles tem trabalho feito: o entorno do Espaço Cultural Alagados, em Salvador — o primeiro módulo de letramento digital, e por enquanto o único.
As cores da natureza. Ao tocar, pairar ou focar uma lâmina da prancha, ela acende com a cor do bioma predominante e mostra a síntese do território — municípios, gente e chão, dos dados oficiais. No repouso, a mesma cor aparece na hachura de goiva.
- Caatinga
- Cerrado
- Mata Atlântica
- transição Caatinga–Mata Atlântica
A atribuição de bioma é leitura nossa, provisória, sobre o Mapa de Biomas do IBGE (2019): na data não havia fonte de máquina respondendo com bioma por município, e dizer isso é melhor do que fingir medição. População e área são oficiais — Censo 2022 e malhas do IBGE.
As 27 lâminas, por extenso — todos os Territórios de Identidade
- Bacia do Jacuípe · 15 municípios265.575 habitantes (Censo 2022) · 11.203 km² · maior município: Ipirá · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Bacia do Paramirim · 8 municípios136.361 habitantes (Censo 2022) · 8.662 km² · maior município: Macaúbas · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Bacia do Rio Corrente · 11 municípios201.804 habitantes (Censo 2022) · 45.646 km² · maior município: Santa Maria da Vitória · bioma predominante: Cerrado (leitura provisória)
- Bacia do Rio Grande · 14 municípios479.714 habitantes (Censo 2022) · 75.873 km² · maior município: Barreiras · bioma predominante: Cerrado (leitura provisória)
- Baixo Sul · 15 municípios361.417 habitantes (Censo 2022) · 7.582 km² · maior município: Valença · bioma predominante: Mata Atlântica (leitura provisória)
- Chapada Diamantina · 24 municípios383.852 habitantes (Censo 2022) · 32.794 km² · maior município: Seabra · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Costa do Descobrimento · 8 municípios394.077 habitantes (Censo 2022) · 12.118 km² · maior município: Porto Seguro · bioma predominante: Mata Atlântica (leitura provisória)
- Extremo Sul · 13 municípios430.826 habitantes (Censo 2022) · 18.519 km² · maior município: Teixeira de Freitas · bioma predominante: Mata Atlântica (leitura provisória)
- Irecê · 20 municípios413.670 habitantes (Censo 2022) · 26.483 km² · maior município: Irecê · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Itaparica · 6 municípios174.176 habitantes (Censo 2022) · 12.474 km² · maior município: Paulo Afonso · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Litoral Norte e Agreste Baiano · 20 municípios541.332 habitantes (Censo 2022) · 13.444 km² · maior município: Alagoinhas · bioma predominante: transição Caatinga–Mata Atlântica (leitura provisória)
- Litoral Sul · 26 municípios · em detalhe no plano720.730 habitantes (Censo 2022) · 14.696 km² · maior município: Itabuna · bioma predominante: Mata Atlântica (leitura provisória)Municípios: Almadina · Arataca · Aurelino Leal · Barro Preto · Buerarema · Camacan · Canavieiras · Coaraci · Floresta Azul · Ibicaraí · Ilhéus · Itabuna · Itacaré · Itaju do Colônia · Itajuípe · Itapé · Itapitanga · Jussari · Maraú · Mascote · Pau Brasil · Santa Luzia · São José da Vitória · Ubaitaba · Una · UruçucaO interesse do plano é o povoado de Tremembé, em Maraú — cuja costa é conhecida como Costa do Dendê, nome de zona turística que não coincide com o território de identidade.
- Médio Rio de Contas · 16 municípios352.485 habitantes (Censo 2022) · 9.675 km² · maior município: Jequié · bioma predominante: transição Caatinga–Mata Atlântica (leitura provisória)
- Médio Sudoeste da Bahia · 13 municípios229.463 habitantes (Censo 2022) · 11.857 km² · maior município: Itapetinga · bioma predominante: Mata Atlântica (leitura provisória)
- Metropolitano de Salvador · 13 municípios · em detalhe no plano3.415.022 habitantes (Censo 2022) · 4.352 km² · maior município: Salvador · bioma predominante: Mata Atlântica (leitura provisória)Municípios: Camaçari · Candeias · Dias d’Ávila · Itaparica · Lauro de Freitas · Madre de Deus · Mata de São João · Pojuca · Salvador · São Francisco do Conde · São Sebastião do Passé · Simões Filho · Vera Cruz
- Piemonte da Diamantina · 9 municípios203.444 habitantes (Censo 2022) · 11.463 km² · maior município: Jacobina · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Piemonte do Paraguaçu · 13 municípios249.070 habitantes (Censo 2022) · 17.483 km² · maior município: Itaberaba · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Piemonte Norte do Itapicuru · 9 municípios272.475 habitantes (Censo 2022) · 14.189 km² · maior município: Senhor do Bonfim · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Portal do Sertão · 17 municípios948.718 habitantes (Censo 2022) · 5.900 km² · maior município: Feira de Santana · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Recôncavo · 19 municípios515.168 habitantes (Censo 2022) · 4.615 km² · maior município: Santo Antônio de Jesus · bioma predominante: Mata Atlântica (leitura provisória)
- Semiárido Nordeste II · 18 municípios407.887 habitantes (Censo 2022) · 16.207 km² · maior município: Euclides da Cunha · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Sertão do São Francisco · 10 municípios555.100 habitantes (Censo 2022) · 61.367 km² · maior município: Juazeiro · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Sertão Produtivo · 20 municípios479.007 habitantes (Censo 2022) · 24.327 km² · maior município: Guanambi · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Sisal · 20 municípios592.939 habitantes (Censo 2022) · 19.625 km² · maior município: Serrinha · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
- Sudoeste Baiano (Vitória da Conquista) · 24 municípios · em detalhe no plano747.152 habitantes (Censo 2022) · 27.334 km² · maior município: Vitória da Conquista · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)Municípios: Anagé · Aracatu · Barra do Choça · Belo Campo · Bom Jesus da Serra · Caetanos · Cândido Sales · Caraíbas · Condeúba · Cordeiros · Encruzilhada · Guajeru · Jacaraci · Licínio de Almeida · Maetinga · Mirante · Mortugaba · Piripá · Planalto · Poções · Presidente Jânio Quadros · Ribeirão do Largo · Tremedal · Vitória da Conquista
- Vale do Jiquiriçá · 20 municípios292.944 habitantes (Censo 2022) · 10.741 km² · maior município: Jaguaquara · bioma predominante: transição Caatinga–Mata Atlântica (leitura provisória)
- Velho Chico · 16 municípios377.218 habitantes (Censo 2022) · 46.132 km² · maior município: Bom Jesus da Lapa · bioma predominante: Caatinga (leitura provisória)
Composição: quadro da SEI 2016–2019, lido no Observatório do Trabalho do Estado da Bahia (DIEESE) — fonte secundária, dita como tal porque as páginas da SEI e da SDR não responderam na data da extração (21/08/2026). Nomes de município na grafia oficial do IBGE.
- Território-piloto, com trabalho feito
Há trabalho feito e verificável: perímetro levantado sobre dados abertos, ponto de imersão publicado e uma obra ancorada com autoria declarada.
- Prospecção, sem trabalho iniciado
Nenhuma oficina foi feita, nenhum contato foi formalizado e não há acordo com ninguém. É onde o projeto quer chegar — e dizer isso é diferente de dizer que já chegou.
São 15 dos 16 pontos deste mapa.
Os três territórios do plano, por extenso
Região Metropolitana de Salvador · 13 pontos
Treze municípios, definidos em lei e estáveis desde janeiro de 2009.
- Salvadorpiloto · trabalho feito2.417.678 habitantes no Censo 2022 O território-piloto é o entorno do Espaço Cultural Alagados, no Uruguai, na Península de Itapagipe: um perímetro de 500 metros dentro de um município de 2,4 milhões de habitantes.
- Camaçariprospecção · sem trabalho iniciado300.372 habitantes no Censo 2022
- Lauro de Freitasprospecção · sem trabalho iniciado203.331 habitantes no Censo 2022
- Simões Filhoprospecção · sem trabalho iniciado114.559 habitantes no Censo 2022
- Candeiasprospecção · sem trabalho iniciado72.382 habitantes no Censo 2022
- Dias d’Ávilaprospecção · sem trabalho iniciado71.485 habitantes no Censo 2022
- Mata de São Joãoprospecção · sem trabalho iniciado42.566 habitantes no Censo 2022
- Vera Cruzprospecção · sem trabalho iniciado42.529 habitantes no Censo 2022 Na Ilha de Itaparica.
- São Sebastião do Passéprospecção · sem trabalho iniciado40.958 habitantes no Censo 2022
- São Francisco do Condeprospecção · sem trabalho iniciado38.733 habitantes no Censo 2022
- Pojucaprospecção · sem trabalho iniciado32.136 habitantes no Censo 2022 O município mais novo da região metropolitana. É o único ponto deste mapa cuja coordenada divergiu entre as duas fontes: o valor adotado é o da área urbana, e não o centroide do polígono do município.
- Itaparicaprospecção · sem trabalho iniciado19.789 habitantes no Censo 2022 Na Ilha de Itaparica.
- Madre de Deusprospecção · sem trabalho iniciado18.504 habitantes no Censo 2022
Lei Complementar Federal nº 14/1973 (os oito originais: Salvador, Camaçari, Candeias, Itaparica, Lauro de Freitas, São Francisco do Conde, Simões Filho e Vera Cruz); Lei Complementar Estadual nº 30, de 3 de janeiro de 2008 (São Sebastião do Passé e Mata de São João); Lei Complementar Estadual nº 32, de 22 de janeiro de 2009 (Pojuca). Dias d’Ávila e Madre de Deus não entraram por lei metropolitana: nasceram dentro da região, por emancipação de municípios que já eram membros. A Lei Complementar Estadual nº 41/2014 criou a Entidade Metropolitana e não alterou a lista.
Maraú — o povoado de Tremembé · 2 pontos
Litoral sul, na Península de Maraú, dentro da Baía de Camamu.
- Maraúprospecção · sem trabalho iniciado24.527 habitantes no Censo 2022 A sede do município. O interesse do projeto é o povoado de Tremembé, a cerca de 10 km daqui.
- Tremembé (povoado)prospecção · sem trabalho iniciadoPovoado às margens do rio Maraú, com acesso por barco e por estrada via Camamu. NÃO é distrito: a base oficial de localidades do IBGE lista só três distritos no município (Maraú, Ibiaçu e Piabanha). A coordenada vem do OpenStreetMap, não de fonte governamental — e a Cachoeira do Tremembé, que dá fama ao lugar, é outro ponto, cerca de 600 metros ao norte deste.
Município de Maraú, código IBGE 2920700. Regionalização vigente do IBGE: Região Geográfica Imediata de Ilhéus-Itabuna. Território de Identidade do Governo da Bahia: Litoral Sul — atribuição de fonte secundária (Observatório do Trabalho da Bahia/DIEESE), não confirmada em fonte primária do estado.
Condeúba · 1 ponto
Sudoeste baiano, no sertão, a cerca de 830 km de Salvador em linha reta.
- Condeúbaprospecção · sem trabalho iniciado17.053 habitantes no Censo 2022 O nome é singular e leva acento no U. Não confundir com Conde, no litoral norte, nem com São Francisco do Conde, que é da região metropolitana e aparece neste mesmo mapa.
Município de Condeúba, código IBGE 2908705. Regionalização vigente do IBGE: Região Geográfica Imediata de Vitória da Conquista. Território de Identidade do Governo da Bahia: Sudoeste Baiano.
O que este mapa não diz
Não diz que a Cordel 2.0 atua nos dezesseis pontos deste mapa. Ela atua em um: o entorno do Espaço Cultural Alagados, em Salvador, e mesmo ali a construção coletiva do território ainda não começou. Os outros quinze pontos são intenção declarada — os mesmos quinze que a legenda acima marca como prospecção —, e intenção declarada não é presença.
Não representa parceria, convênio nem endosso. Nenhum dos municípios, instituições ou comunidades marcados aqui firmou acordo com este projeto, e nenhum foi consultado para entrar neste mapa. Estar assinalado significa que queremos chegar — não que fomos convidados.
As 27 lâminas não são áreas de atuação. São a divisão oficial do estado em Territórios de Identidade, desenhada aqui como moldura do plano. O plano toca três delas; o trabalho feito existe num ponto de uma. E um nome que circula não coincide com a divisão oficial: a costa de Maraú é conhecida como Costa do Dendê, que é zona turística — o território de identidade a que Maraú pertence chama-se Litoral Sul.
O mar da prancha não é medição. As linhas d'água e a hachura de goiva são linguagem de gravura: nenhuma profundidade, mata ou relevo foi medido para desenhá-las, e a grade de coordenadas da moldura é gramática de prancha, não coordenada utilizável.
O Caleidoscópio do Território: os 27 Territórios de Identidade da Bahia como lâminas, três em detalhe, sobre o contorno oficial do estado. Não é carta geográfica, não tem escala utilizável e não serve para medir, demarcar nem para qualquer uso legal. A longitude é multiplicada por cos(-13.5°) para o desenho não sair alargado. Direções e distâncias neste mapa são aproximadas por construção. Sedes municipais do Wikidata, casadas pelo código do IBGE e conferidas uma a uma contra o OpenStreetMap; quatorze das quinze batem dentro de 1,6 km entre as duas fontes. São referências de centro urbano, não centroides oficiais. O ponto do povoado de Tremembé vem só do OpenStreetMap e não tem fonte governamental.
Sobre Tremembé: é um povoado de Maraú, às margens do rio, e não um distrito — a base oficial de localidades do IBGE lista apenas Maraú, Ibiaçu e Piabanha como distritos do município. A coordenada dele vem do OpenStreetMap e não de fonte governamental. Notícias de agosto de 2026 dão conta de que a Fundação Cultural Palmares o certificou como comunidade remanescente de quilombo; não conferimos a portaria no Diário Oficial, então isto fica aqui como o que é — informação de imprensa, ainda por confirmar na fonte. E não tem relação com o povo indígena Tremembé, que é do Ceará: é coincidência de nome.
O primeiro território
O entorno do Espaço Cultural Alagados, em Salvador
O Espaço Cultural Alagados é um galpão cultural público inaugurado em 1989, no Final de Linha do Uruguai, na Península de Itapagipe. Escolhemos o entorno dele para o primeiro perímetro porque é ali que pretendemos propor a oficina inaugural — e porque aquele chão foi ganho do mar: as palafitas de Alagados avançaram sobre a Enseada dos Tainheiros e a mudança para terra firme só terminou nos anos 2000.
O que já está de pé: o perímetro de 500 metros ao redor do ponto real, a base de edificações, ruas e orla vinda do OpenStreetMap, e a caminhada em 3D por esse chão, que abre no navegador do celular sem instalar nada.
O que já aconteceu ali: a Cordel 2.0 trabalhou neste território de março a junho de 2025, na Primeira Edição Alagados — oficinas dentro do próprio Espaço Cultural, que terminaram numa antologia com ISBN. Dessa antologia sai a primeira obra ancorada aqui: o cordel Praça da Alegria no Uruguai, de Dilma Santana, preso ao largo em frente ao galpão.
O que ainda não existe: a plataforma de território é nova e nenhuma oficina de construção do território foi feita — não há marco de autoria colocado pela comunidade nem lugar erguido por ela. As alturas dos prédios são estimativa de massa a partir dos dados abertos, não levantamento de campo.
O Espaço Cultural Alagados é uma instituição real. A Cordel 2.0 já trabalhou dentro dele, em 2025, e isso é documentado e público — mas esta plataforma não tem convênio, parceria formalizada, patrocínio nem endosso de ninguém, e o levantamento desta página foi feito por conta própria, sobre dados abertos.
- 500 m de raio ao redor do lugar da oficina
- O perímetro é a unidade do trabalho: constrói-se dentro dele, e o chão do perímetro é o chão do bairro.
- 2.922 edificações mapeadas no OpenStreetMap
- Dessas, 2.911 viraram volume na cena; onze ficaram abaixo do piso de 8 m² e saíram.
- 200 trechos de rua, beco e escadaria
- Mais treze áreas de uso do solo e seis feições de água. O Uruguai é península: medida da âncora, a maré cerca o perímetro por três lados — ao norte, a 218 m; a leste-nordeste, a 256 m, onde ficam o mangue e a Ilha do Rato; e a sudeste, a 338 m. Nenhuma linha de costa aí carrega nome: “Enseada dos Tainheiros” vem do uso local e da história, não do dado.
- 67 lugares de uso público no arquivo
- Comércio, praça, cultura, educação e culto — 42 deles com nome próprio no mapa. Residência e hospedagem ficaram de fora de propósito.
- 101 KB de dados da cena, comprimidos
- O alvo declarado é um Android de entrada em rede 3G — se não abrir no celular do bairro, não serve.
Levantamento de 10 de agosto de 2026 sobre dados do OpenStreetMap, sob licença ODbL.
O problema, medido
O que o mapa não sabe
Ao levantar os primeiros 500 metros deste território, o mesmo desencontro apareceu três vezes seguidas, e sempre na mesma direção: o mapa tem a geometria e não tem o nome; a comunidade tem o nome e não tem a geometria. Não é defeito do OpenStreetMap — é o que acontece quando quem mapeia não é quem mora.
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A praça
No mapa: Praça do Uruguai Na boca do bairro: Praça da Alegria
É o largo em frente ao Espaço Cultural Alagados, a 30 metros da âncora do território, registrado como o traçado w556406500. O endereço da Primeira Edição Alagados diz “Praça da Alegria, s/n”; o cordel de Dilma Santana canta “Praça Alegria”.
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A loja
No mapa: um comércio de esquina sem nome Na boca do bairro: a loja do Budião
A 34 metros da praça, no rumo oeste-sudoeste, o mapa registra que ali existe um comércio e deixa o campo do nome vazio. Desenhou a porta e não escreveu a placa — a placa que quem passa ali sabe de cor.
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A água
No mapa: linhas de costa sem nome Na boca do bairro: Enseada dos Tainheiros
A maré cerca o bairro por três lados e está desenhada com precisão: três trechos de costa, a 218 e 266 metros ao norte e a 338 metros a sudeste da âncora, mais um mangue a 256 metros a leste-nordeste. Nenhum deles tem nome no arquivo. O nome vem do uso local e da história do lugar — foi sobre essa enseada que as palafitas avançaram.
É por isso que a oficina é presencial
O que falta nesses três casos não se resolve com mais processamento: não está em servidor nenhum. Está com quem mora, e só chega ao mapa se alguém perguntar — no lugar, a quem sabe. É esse o trabalho da oficina, e a correção não fica presa aqui dentro: um nome confirmado no Uruguai volta para o mapa aberto, onde passa a existir para o entregador, para a ambulância e para o próximo projeto que baixar aquele mesmo dado.
Nenhum desses pares está confirmado, e não vamos fingir que está: o que se afirma aqui é que o mapa registra um nome e a comunidade usa outro. Que sejam a mesma coisa é provável, não verificado — e verificar é trabalho de campo. Ver os três casos medidos, de pé no ponto.
O ciclo da oficina, os compromissos do que esta plataforma não faz, a articulação com as ODS e o convite para escrever à equipe moram em como funciona.