Como funciona
O construtor coletivo do território
É um construtor de espaços culturais em 3D preso a coordenadas reais. Em volta do lugar onde acontece cada oficina abre-se um perímetro de cerca de 500 metros, e dentro dele a comunidade ergue os lugares que aparecem nas suas obras — a rua do folheto, a praça da gravura, a beira da maré.
O chão não começa vazio nem inventado: vem de dados abertos de mapa, em massa cinza, para que quem mora ali reconheça a própria quadra e construa por cima dela. O que o grupo levanta fica público numa página da web, visitável por link ou por QR, sem conta e sem instalar nada.
Cada lugar construído carrega o nome de quem escreveu ou gravou a obra que o cita, com link para a referência que essa pessoa escolher. É esse o ponto do trabalho: devolver ao bairro a obra feita nele, com autoria visível e endereço certo.
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Quem vai participar
Você constrói sem conta, sem senha e sem saber programar. Sua obra fica com o seu nome e você pode retirá-la.
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Quem dirige um equipamento
O território é uma unidade por oficina, com curadoria local antes de qualquer publicação e prestação de contas em números agregados.
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Quem avalia o projeto
Dados abertos na entrada. Na saída, o compromisso é o mesmo: formatos padronizados, código aberto e um registro auditável de tudo o que a IA propuser — ainda em construção, como diz a seção "Onde estamos".
O ciclo da oficina
Do lugar real à edição congelada
Oito passos, sempre nesta ordem. Os quatro primeiros acontecem entre pessoas reunidas; os quatro últimos são o que a plataforma faz com o resultado desse encontro.
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Passo 1: O lugar real da oficina
Tudo começa com um endereço, não com um mapa em branco. O ponto onde a oficina acontece — um centro cultural, uma sede de associação, uma escola — vira a âncora do território: é dali que se mede tudo o mais.
Se não há encontro presencial, não há território.
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Passo 2: O perímetro de cerca de 500 metros
Ao redor da âncora abre-se um raio de aproximadamente 500 metros. Esse é o pedaço de chão em que o grupo pode construir — perto o bastante para caber numa caminhada, grande o bastante para conter a rua, a praça e a esquina que as obras citam.
O círculo é só o ponto de partida técnico. O limite definitivo pode ser redesenhado com a comunidade.
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Passo 3: A leitura das obras
O grupo lê em voz alta os folhetos e olha as gravuras que trouxe. É uma atividade de oficina, não uma etapa de sistema: antes de erguer qualquer coisa, é preciso saber o que a obra diz e onde ela se passa.
A obra vem primeiro; o cenário vem depois dela.
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Passo 4: A identificação dos lugares
Da leitura sai uma lista de lugares. Cada um entra com um vínculo declarado, escolhido pelo grupo: o lugar é citado na obra, é o lugar de quem a fez, ou é um ponto onde se produz cultura no bairro — um grupo, um ateliê, uma escola, uma sede.
Um lugar pode reunir várias obras; uma obra pode se espalhar por vários lugares.
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Passo 5: A construção coletiva
O grupo levanta os lugares sobre o chão do bairro, que já vem semeado com dados abertos. Constrói-se de três maneiras, todas sem escrever código: tocando no mapa, colando uma coordenada ou pedindo ao agente construtor em português.
Ninguém precisa saber programar em nenhum momento.
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Passo 6: O marco de autoria
No lugar erguido fica uma placa com o nome de quem escreveu ou gravou, a obra e o ano — mais um link externo escolhido por essa pessoa, tipicamente o seu perfil no mapa cultural público. O crédito é parte da construção, não uma nota de rodapé.
Quem cede escolhe o link. Quem não quiser aparecer no mapa cultural pode indicar outra referência.
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Passo 7: A publicação em 3D
Depois de passar pela curadoria local, o território vira uma página pública: abre no navegador do celular, por link ou por QR, sem instalar nada e sem entrar em conta nenhuma. Quem estiver com conexão fraca tem de receber a mesma informação em versão leve — hoje, no primeiro território, isso é uma planta em traço e a descrição escrita; o mapa 2D navegável ainda está por fazer.
A visita em 3D nunca é o único caminho para o conteúdo.
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Passo 8: A edição congelada
De tempos em tempos, o estado do acervo e do território é fechado numa edição numerada, com um resumo digital do arquivo — um código chamado hash. Se qualquer vírgula mudar depois, o código muda junto, e a diferença fica evidente.
É o que torna o trabalho citável: dá para apontar para a Edição 1 e verificar que ela é a mesma de antes.
Sem código
Três formas de construir
Nenhuma delas exige escrever uma linha de programa, e as três produzem o mesmo tipo de resultado. Numa oficina costumam se misturar: começa-se tocando, corrige-se com a coordenada exata, pede-se ao agente quando o trabalho é repetitivo.
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Tocar no mapa
A pessoa escolhe uma peça do catálogo — casa de tijolo, laje, caixa-d’água, muro, passarela de tábuas — e toca no ponto onde ela vai. A peça encaixa no lote e na rua que já estão desenhados no chão.
É o caminho mais direto, e o único necessário para participar da oficina.
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Colar uma coordenada
Quem já tem o ponto anotado — de um levantamento, de uma caminhada com o celular, de um mapa aberto — cola o par de números da latitude e da longitude, e a peça aparece exatamente ali.
Serve para quem chega com dados na mão e não quer perdê-los na transcrição.
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Pedir ao agente, em português
Fala-se com o agente construtor como se fala com uma pessoa: “levanta uma casa de tijolo com laje e caixa-d’água azul na esquina da passarela”. Ele traduz o pedido em peças posicionadas e mostra o resultado antes de qualquer coisa acontecer.
É atalho para quem tem pressa ou dificuldade com a tela — nunca substituto do grupo.
O agente obedece — e a obediência fica provada
O agente construtor é a parte do sistema que mais precisa de freio, porque é a que mais facilmente tomaria o lugar do grupo. Por isso ele funciona sempre em quatro tempos, sem exceção e sem modo avançado que os dispense.
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Só sob pedido
O agente não age por conta própria, não completa o que ninguém pediu e não “melhora” o bairro sozinho enquanto ninguém olha.
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Sempre com prévia
Toda ação chega como proposta desenhada na tela — um arranjo de cada vez, visível antes de existir.
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O grupo confirma
Nada se aplica sem que alguém do grupo aceite. Recusar é tão normal quanto aceitar, e não custa nada.
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Tudo fica registrado
Cada pedido, aceito ou recusado, entra num registro com data e hora que pode ser exportado e lido por qualquer pessoa de fora.
Por que isso importa
Porque a pergunta que todo mundo faz sobre uma plataforma com IA é se a máquina não está escrevendo no lugar das pessoas. Aqui a resposta não é uma promessa no texto: é um arquivo. O registro de pedidos aceitos e recusados pode ser exportado e conferido por quem quiser — pela autora, pela gestora do equipamento, por um financiador, por um pesquisador.
A IA nunca redige a obra. Ela ajuda a montar o cenário em volta da obra, sob pedido, com prévia e com confirmação. A autoria continua inteira de quem escreveu e de quem gravou, e é possível provar isso documento na mão.
Autoria
O que é autoria aqui
Autoria não é um campo preenchido no cadastro. São quatro coisas concretas, e a última é a que dá sentido às outras três.
- O marco
- Uma placa no lugar construído, dentro da cena, com o nome de quem escreveu ou gravou, o título da obra e o ano. Fica visível para quem visita, do mesmo jeito que uma placa fica visível numa fachada.
- O link
- O marco aponta para fora, para uma referência escolhida por quem cede a obra — em geral o perfil no mapa cultural público, a plataforma livre em que órgãos de cultura brasileiros cadastram agentes, espaços e projetos. Quem não tiver perfil pode criar um na própria oficina; quem preferir outra referência indica outra. Qual instância será usada — nacional, estadual ou municipal — é decisão ainda em aberto, e depende de onde os autores do território já estejam.
- O QR
- O mesmo marco existe em versão imprimível, com um QR para colar no lugar físico. Quem passa na rua chega ao lugar virtual; quem visita o território virtual sabe onde fica a rua. O bairro real e o publicado apontam um para o outro.
- A revogação
- Quem cede pode retirar. Revogada a cessão, a obra sai do acervo e o marco e o vínculo com o lugar saem do território na edição seguinte. Não há cláusula de permanência, não há prazo de carência e não é preciso justificar.
Dados e software
Aberto na entrada e aberto na saída
Um território construído por uma comunidade não pode ficar preso ao programa de quem o construiu. Por isso tudo aqui entra e sai em formato que outros programas leem.
De onde vem o chão
Do OpenStreetMap, o mapa colaborativo mundial, sob licença ODbL — que obriga a citar a origem e a manter aberto o que derivar dela. É por isso que a atribuição aos colaboradores do OpenStreetMap aparece no rodapé de todas as páginas.
Em que formato ele sai
Os lugares, os perímetros e os pontos sairão em GeoJSON; as peças e o cenário, em glTF. São dois padrões públicos e comuns: o primeiro abre em programas de mapa livres, o segundo em programas de 3D livres. Nenhum dos dois é nosso, e nenhum depende de nós para ser lido. O arquivo publicado hoje ainda é um formato próprio, enxuto para caber no celular: a exportação nesses dois padrões está no desenho e ainda não foi feita.
O que isso quer dizer na prática
Que o território pode ser baixado e reaberto em outro programa, por outra equipe, inclusive por alguém que discorde de nós. Se esta plataforma parar de existir, o trabalho da comunidade continua legível — que é o único teste sério de dado aberto.
O motor é trocável
A cena 3D é desenhada por bibliotecas livres que rodam no próprio navegador, sem aplicativo e sem loja. E como o conteúdo mora nos formatos abertos acima, trocar o motor de desenho não custa o conteúdo: é só outra vista dos mesmos dados.
O código é aberto
O código-fonte da plataforma será público e auditável — é compromisso, não estado de hoje: o repositório ainda não foi aberto. A licença exata também está entre as decisões em aberto; a inclinação é por uma licença livre com cláusula de reciprocidade, que obriga quem distribuir uma versão modificada a abrir também o que mudou.
Sem plataforma proprietária no meio
Nada aqui depende de um serviço fechado, de um mundo de jogo com dono ou de um formato que só um programa lê. E esta página, especificamente, não faz nenhuma requisição a servidor de terceiros: nem fonte, nem script, nem imagem, nem medidor.
Onde estamos
O estado do trabalho, sem maquiagem
Este é um protótipo público de 2026. O que segue é o estado real em 10 de agosto de 2026, dividido no que já funciona, no que está sendo desenhado e no que simplesmente não existe. Não prometemos data para nenhuma das etapas seguintes: elas dependem de acordos com pessoas e instituições que ainda não foram fechados.
Já está de pé
- O perímetro do primeiro território, medido a partir de um ponto real do OpenStreetMap.
- A cena de base do chão: 2.911 volumes de edificação, 200 trechos de rua e beco, 13 áreas de uso do solo, 6 feições de água e 67 lugares de uso público, 42 deles com nome próprio.
- O arquivo da cena com 102 KB comprimidos, verificado por 41 conferências automáticas antes de ser publicado.
- A linguagem visual do projeto e as páginas públicas que você está lendo.
Em desenho
- O catálogo de peças do lugar, a ser desenhado a partir de fotografias do próprio bairro.
- O construtor: tocar, colar coordenada, pedir ao agente, desfazer.
- O registro exportável dos pedidos feitos ao agente.
- A ficha dos pontos de produção cultural e o marco de autoria com link externo.
Ainda não existe
- Nenhuma obra foi recolhida, e portanto não há nenhum marco de autoria no território.
- O conselho curatorial local ainda não está constituído.
- Nenhuma oficina foi realizada e nenhuma edição foi congelada.
- Não há parceria, patrocínio nem endosso de instituição alguma.
- O nome público deste construtor — que será batizado com a comunidade, na oficina.
O primeiro território é o entorno do Espaço Cultural Alagados, em Salvador — uma instituição real, com a qual não temos vínculo, parceria nem endosso: o que existe é a nossa intenção declarada de começar por ali. Ver o território.
Perguntas frequentes
O que costumam perguntar
Preciso criar conta?
Não. Não há cadastro, login nem senha em lugar nenhum — nem para visitar, nem para construir na oficina.
Quem participa constrói no aparelho da oficina, em turnos combinados pelo grupo. A autoria da obra é registrada em papel, no termo de cessão, e não numa conta de usuário.
Vocês guardam meus dados?
Este site não coleta nada. Não há formulário, cookie, medidor de audiência nem requisição a servidor de terceiros: as páginas são arquivos estáticos, e a fonte pode ser inspecionada por qualquer pessoa.
Na oficina, o que é recolhido são os termos em papel — cessão da obra e uso de imagem — que ficam fora da plataforma. Fotografia de pessoa nunca vira textura no território.
Quem decide o que entra no território?
Um conselho curatorial local, formado por gente do próprio território. Toda construção e todo marco passam por ele antes de aparecer na página pública, e a recusa vem sempre com justificativa escrita.
Dito com honestidade: esse conselho ainda não está constituído. Constituí-lo é uma das condições para a primeira oficina acontecer, não uma etapa posterior.
Posso tirar minha obra depois?
Pode. Quem cede uma obra pode revogar a cessão, e a revogação vale para tudo o que dependia dela: a obra sai do acervo, e o marco e o vínculo com o lugar saem do território na edição seguinte.
As edições já congeladas permanecem como registro do que foi publicado naquele momento — é o que garante que ninguém possa reescrever a história do acervo em silêncio.
Minha casa vai aparecer no mapa?
O volume dela provavelmente já está lá, como massa cinza: a base vem do OpenStreetMap, onde os contornos das edificações são públicos e anônimos. Nenhum endereço, telefone ou nome de morador entra no arquivo da cena — a camada de lugares nomeados foi restrita a espaço público, comércio, cultura, educação e culto.
Marco de autoria em residência é outra coisa, e a regra é firme: só com consentimento expresso de quem mora ali. O padrão é sempre espaço público ou ponto de produção cultural.
Isso é um jogo?
Não. Não há pontuação, fase, ranking, moeda, prêmio nem competição — e também não há curtida, contador de visitas nem lista de mais populares. Nada disso vai existir.
A semelhança com jogo é de manuseio: construir em 3D é uma forma de conversar sobre o bairro que dispensa formulário e dispensa técnico. O que fica no fim é registro de memória, não partida jogada.
Funciona em celular fraco?
É o alvo declarado do projeto: um aparelho Android de entrada, em rede 3G, dentro do bairro. Por isso o arquivo do território pesa pouco, esta página não carrega script nenhum e o mesmo conteúdo existe sempre em versão leve: na página do território, uma planta em traço e a descrição escrita, que não dependem do 3D. O mapa 2D navegável ainda não existe.
A prova, no entanto, é de campo: o teste em aparelho real, na rede do bairro, ainda não foi feito. Se a cena não abrir bem ali, quem muda é a cena.
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